Infidelidade
01
O infiel, é infiel a si próprio,
pois trai o imo de sua natureza.
Se assim não fosse de fato,
admitiria ele ser traído,
sem nenhuma reação
de aversão ou braveza.

A traição é ato de covardia
e de absoluta mediocridade.
É a ousadia da impunidade
acrescida do vulgarismo,
de se nutrir em secreto
essa sórdida iniqüidade.

O respeito sempre será tudo
e a ninguém é dado o direito,
de dispor da paz do seu par,
de o ultrajar e o quebrantar,
ou mesmo, lhe imputar defeito,
a fim, de sua leviandade justificar.

"É impossível se servir a dois senhores".
Não é possível se servir de dois amores.
Não se é obrigado a ficar com ninguém,
mas se ficar, não fique, ficando com outrem.
Paixões, não são troféus que colecionamos,
como prêmios por nossas pessoais aptidões.
Antônio Poeta



Ciúme
02
Urge que eu me repense,
você não me pertence,
és de Deus e não minha.
Para tudo nessa vida
se tem um fronteiriço,
até mesmo para amar.
Mas o ciúme me vence
e o bruto passa a atuar.
Nestas horas de sombras,
seu aclarar não me convence,
e, por tal, temo tudo arruinar.
Meu amor, não se ofenda,
certo estou, que isso
não é falta de fidúcia,
é sim, excesso de paixão.
É ainda, um sentimento
um tanto que ambíguo
de proteção e possessão.
Acabo te vendo e sentindo
como se fosses minha.
Esse ciúme incontrito,
preciso calar esse grito,
quem sabe, amar menos
essa sua saborosa carne
e mais ao seu belo espírito.
Sou plenamente consciente
de que o ciúme é uma feição
de gênio egoísta e doente,
pois chegamos ao cúmulo
de ficarmos com ciúme,
até mesmo por nosso amor
não sentir ciúme da gente.
Se um dia terminarmos
sei que muito vou perecer,
mas serei avidamente
a Deus agradecido,
por ter tido você
e a ti ter pertencido!
Antônio Poeta



Meu Herói
03
Vivas a Hamilton
o bravo poético, que faz
poesia com lagrimas
e santa insubordinação.
Enfim, aquele, que versa
mudo e sem grafia, mas
com a cariciosa graça
intuída pelo coração.
Hão coisas que podemos mudar,
já outras, não. Mas não hão
as que não possamos melhorar.
Meu herói não é nenhum
piloto de corrida; futebolista;
estadista ou vulto de nossa
história nacional:
Ele é apenas um tratorista!
Para mim, ato heróico, é assim,
de improviso, ao vivo
e sem vivacidade prévia
de auto promoção.
Hamilton é o único herói,
que eu vi atuar, pois seu feito,
não me foi contado, por outros
ornamentado, aumentado...
Simplesmente, ele reagiu
abençoadamente, e com isso fez
a justiça e a emoção
divinamente desabrochar.
Beijos em sua alma
Hamilton Bravo, digo,
Hamilton dos Santos.
Bravos! Bravo dos Santos...
Poema dos Santos:
Você é o cara meu irmão!
Antônio Poeta



Romantismo
04
Há coisas que não perdem a evidência.
Tal qual, ocorre com o romantismo,
que por não ser um estilo ou modismo,
perpetua-se através das descendências,
como sentimento impar e enobrecido,
e detentor de sua própria excelência.

Os românticos não são tolos,
ultrapassados ou pueris,
são eles anjos mensageiros
do amor e da paixão,
do ser e do fazer feliz,
do sentir com o coração.

Há algo mais terno e virtuoso
que destinar ao seu amor
afeto e respeito extremoso,
defendê-lo, estar presente,
principalmente, quando
de um baque mais danoso?

São eles sensíveis
que não se abstêm
de assim proceder.
O compromisso deles
é com a outra metade,
não com o que vão dizer.

Os românticos concentram
em suas ações e reações,
forte carga de generosidade,
pois otimizam e priorizam
a emanação das emoções,
e primam pela cumplicidade.
Antônio Poeta



Inconscientes
05
Os ébrios, os drogados
e os jogadores inveterados,
são pessoas profundamente
insatisfeitas com as suas
condições de vidas atuais.
São ricos, são pobres,
estão eles em todas
as camadas sociais.
São primários, são sábios,
são pessoas com pouca paz.
Embriagando-se, se drogando
e a tudo arriscando...
parecendo rebelados
contra suas consciências,
produzem seus próprios
períodos de inconsciência.
Evadem-se de si próprios,
sofrem e imputam o sofrer.
Letárgicos em sua evolução,
derrotam seus corpos físicos,
comprometem os seus espíritos,
rendem-se à vilania da obsessão
maximizada pelo insano e tirano
vício: Vicio da paixão pela paixão.
Marginalizam-se socialmente,
se desonram individualmente,
obram cegos por rumar ao fim.
São dependentes da dependência
e independentes da abstinência:
Deus, como podem viver assim?
Antônio Poeta



A Inveja
06
A inveja é um sentimento
que denota doença da alma
e deformidade do eu:
É lesivo excremento.
Vigie para que o admirar
não extrapole suas raias
e culmine no invejar.
Os estúpidos invejosos
são logo identificados,
evitados e aviltados,
pois usam da hipocrisia
e da infâmia intriga,
a fim de se manterem
em exterior socializados,
contudo, suas máscaras
não resistem por muito
e logo são excretados.
São loucos andarilhos,
amantes da marcha à ré,
são bitolados insensíveis,
servidores do mal e sem fé.
Lutam por ser estorvo
ao avanço de outrem.
São amebas farsantes
que vegetam em cizânia,
são coisas vazias, frias,
fúteis e vitimadas
pela menos valia,
e que se ajuízam
sábias pensantes.
As pessoas invejosas
são utópicas, bucólicas,
e evolutivamente são
lerdas... São merdas!
Antônio Poeta



Deformidades
Do "Eu"
07
É triste como o mal proceder nos está sempre servil
e apto a nos favorecer com seus gozos presentes,
e assim, nos comprometer, com as sanções
decorrentes de não se saber escolher.
Há pessoas que vivem
como se a vida fosse
como elas acham
que devia ser.
Fingem não observar as reformas que urgem se edificar,
e com tal má vontade, privilegiam o vegetar, o não viver.
Aí padecem e fazem o alheio padecer.
Diz o dito popular: Errar é humano,
porém, persistir no erro é burrice.
Alguns precisam uma vida inteira
e não se convencem a melhorar.
Alegam eles serem de casta,
e em decorrência disso,
não ser crível mudar.
Parem de cretinice, apologistas do viver tudo
que é viver, cessem de expiar e produzir expiação!
Mesmo vocês tendo se degenerados em sua emoção e razão:
O Deus Pai Criador e muita gente, vos amam e se afligem por você!
Antônio José



Bichos Com
Pele De Gente
08
A pedofilia e o incesto
são os mais nocivos perfis
que um humano pode exibir.
Aliás, não posso conceber
humanidade em atitudes tão vis,
neste tipo de proceder. Em alguém
que só assim consegue possuir.

Esses anômalos bestiais
são inábeis ao cativar e amar,
por isso se lançam à covardia
de imputar tão brutal terror,
àqueles acriançados indefesos,
quando ao contrário, deveriam
dedicar-lhes total zelo e amor.

Brutos e desalmados,
sexualmente reprovados,
são tortos incompetentes,
que abdicam do sexo natural.
São eles os subumanos,
o excremento de nossa raça:
O nosso infeto dejeto social!
Antônio Poeta



Passageiros
Da Agonina
09

Algumas pessoas exacerbam da impostura
de serem vacilantes. Pensam que as outras
têm de lhes aceitar como eternas errantes.
Que passa na consciência dessas criaturas,
que passam a passar a nós que não passam
de passageiras, passando pela vida inteira?
São elas inertes evolutivas que se divorciam
do progresso, pela moral e sensatez da lida.
Onde pensam ir vivendo tantos anos agindo
insaciavelmente sem o bom sentir e pensar?
Vivem obscuramente como se não houvesse
o amanhã, somente o vulgar presentemente.
Nômades tortos, não se portam como gente.
Pior que isso, não se importam com a gente.
Antônio Poeta



Dinheiro Ou Amor?
10
A ninguém é dado o prazer de tudo desfrutar e gozar;
nossas vidas são feitas de partes. Sendo isso uma lei,
independe do meu ou do seu querer, por um caminho
temos que optar. Uns vencem fazendo dinheiro, outros
triunfam fazendo amor. Sendo muito operoso conciliar
esses predicados tão potentes e dissonantes entre si.
Quem se especializa em um deles, em regra negligência
com o outro, e assim, laborando, falha e o permite falir.
De acordo com o devotamento, os dois se multiplicarão.
Só que o primeiro é tesouro que só serve nesta dimensão.
O segundo transcende a tudo e faz gemar paz no coração.
O primeiro insensibiliza e fanatiza, o segundo ao adverso,
ao espírito fertiliza e dinamiza... Por ser feição da emoção.
O dinheiro e o amor são as alavancas que movem o mundo:
Sem demagogias ou remorsos, eu cá, optei pelo segundo!
Antônio Poeta



A Fofoca
11
Cuida-se...! Previna-se...!
Pise com veemência no freio,
toda vez que você vislumbrar,
um outro falando mal do alheio.
O fofoqueiro é um doente invejoso,
e opera movido pelos abissais do mal,
suas motivações, quase sempre torpes,
conduzem-se a denegrir e destruir, aquele
a que ele avalie ou eleja como um virtual rival.
É gente sem perímetro,
sem sentido de dignidade,
que invade e inválida hoje,
um aqui, amanhã, outro ali.
O fofoqueiro é uma gentinha que
esmoreceu e se permitiu à vida falir.
Enfim, é um néscio, que recusa a evoluir.
È ainda, uma coisa, sem qualquer outra valia,
auto-estima ou responsabilidade, que só interage
na clandestinidade e movido sob arbítrio da leviandade,
lança à banalidade de semear a discórdia, de idear delações.
São monstros provedores e produtores do desmantelar as emoções.
Amigos, se apartem destes adversários da lealdade, replenos de más ações!
Tácito que: Só se atiram pedras nas árvores
que dão bons frutos, para deixá-los caírem.
Tácito também, vemos esses frustrados
a cada dia mais se auto-aniquilarem,
se auto-destruírem, pois se abstêm
eles do próprio progresso,
ao só se preocuparem
com nosso regresso.
Antônio Poeta



A Mentira
12

A mentira é o ácido
que corrói as relações.
A mentira entre os pares,
os amigos e os familiares,
os subalternos e os superiores.
Essa mentira, que acaba se tornando
uma usina do mal, que reprocessa
tantas distensões e rancores.
Diz o dito, que a mentira tem pernas
curtas, mas, mesmo curta, corre
ela com a voracidade do fogo.
No entanto, por ser curta,
ela cambaleia sobre si,
e logo a razão revela
que tudo não passou
de um mero jogo,
de tola“balela”.
Por vezes, para se encobrir um pequeno fato
que não se assume, se conta uma mentira
e, a partir daí, muitas outras serão
ditas com o intuito de se manter
a tal burla original ou inicial.
Em verdade a não verdade
foca luz a incapacidade,
de se assumir, enfim,
rotula inferioridade.
Antônio Poeta



Brigas Conjugais
13
Nossa! Nem pensar em brigar com você.
Sofro muito quando isso acontece,
pois o meu todo enfraquece,
e aí, me sinto um unicelular,
fragilizado e aterrorizado,
totalmente descentrado,
pelo temor de te perder.
Briga não, coração, isso não leva a nada,
só leva a nossa paz e em contrapeso trás,
o dissídio, o desamor, o litígio e o rancor,
vedando o brado do nosso amor,
nos apartando e nos partindo
nos batendo e nos abatendo.
Fala sem gritar, investigue
antes de enraivar e acusar,
se esforce por nos conciliar.
Entenda, que sem solicitude
nossa história vai se findar.
Venha, vamos juntos esclarecer,
se abrande, não quero te perder.
E saiba amor, para tudo
se tem uma fronteira, e eu,
não admito ser maltratado,
te sagro e exijo ser sagrado.
Querida não sejas partidária
do dito popular que anuncia:
“Que brigas de amor
aquecem a união.”
Pois bem antes disso,
elas sepultam a relação.
Mas real, moral e evolucional,
é o meu dito alerta, que conclama:
Todo aquele que atormenta, não ama!
Antônio Poeta



Amor On Line
14
Agente começa a teclar
e tímidos a nos mostrar.
Estabelecemos simpatias,
trocamos impressões,
sentimentos, alegrias,
emoções e afeições.

Noutro dia lá estamos
e novamente teclamos,
já com mais intimidade,
revelando novas afinidades,
até nossas fotos permutamos,
e ao final... Até nos telefonamos.

Após uma semana abortamos o virtual
e cônscios, partimos ansiosos para o real.
Vamos ao primeiro encontro, olho no olho,
na tentativa de constatar se aquela pessoa,
ali, ao vivo e a cores, também conseguirá
nos alentar... Nos encantar e emocionar.

De início tentamos relaxar,
mas é impossível, suamos,
às vezes até gaguejamos.
E mesmo se o aprovamos,
impera saber se ao outro,
também impressionamos.

Se tudo der certo, começa aí
uma nova afinidade de amor.
Um novo casal a NET formou.
Porém, se não foi bom para os dois,
Paciência! Que continuemos amigos,
sem qualquer consternação ou rancor!
Antônio Poeta



Amor Bandido
15
Esse frêmito,
esse frio na espinha,
esse enregelar nas mãos,
acompanhados da aceleração
da circulação e da respiração,
não tem outro motivo, se não,
o de vir a materializar a você
que esse alguém te encanta
e te enternece de paixão.
Insista, invista e persista
nesse tão doce sonho.
Mas não adormeça,
sonhe acordado
e com os pés
no chão.
Lembre-se, observe:
Alguns equivocados,
outros mal intencionados
acabam relegando o seu par,
ao infausto e vil dissídio familiar.
E noutras vezes, até ao presídio.
Quem ama cuida, protege,
nunca exige prova de amor.
Amor é provado com atitudes
e lealdade, não como participe
do amoral ou da ilegitimidade.
Amor bandido não é amor,
é cabal suicídio da emoção.
Se o seu amor quer se perder,
se nada a mais você pode fazer;
que se vá ele ao fadário escolhido,
e fique você, mesmo que sofrido,
com o inteiro domínio do seu eu
e em fleuma com seu coração!
Antônio Poeta



Sorria
16

Há gente tão mal humorada
que mesmo raro sorrindo,
padecem dor no maxilar.
Gente amiga, que loucura!
Deserdem essa amargura,
venham, vamos gargalhar!
Aquele que sorri se imanta
e imanta, se encanta e encanta.
O riso não tem contra-indicação,
até nos casos de super dosagem
é ele terapêutico, eficiente e bom.
O riso é incisivo, positivo e evolutivo;
só os bichos (que pena!) não o possuem.
Porque se privar de tamanha bênção,
se acautelar intimamente de tal bem?
A não ser, que você seja bicho também.
Sorria, sorria, sorria... Entre nessa folia!
Dizem que Jesus nunca fora visto sorrindo.
Eu, particularmente, me recuso a crer
nessa fábula, nesse tolo horror,
pois creio que quem tem um
tem o outro: Falo do
amor e do humor
Antônio Poeta



Partir
Transcendente
17
Ser forte não é ser bruto,
ser decidido não é insensibilizar.
Como pode alguém em são juízo
maltratar ao seu par?
Mil vezes a batida em retirada,
a triste separação,
do que se raiar a perfídia
do falecer a relação.

Se o rompimento vier a tempo,
se preserva o respeito e a emoção.
E o ardor se transformará em amizade,
e um dia, até poderá voltar a ser amor.
Mas, se o amor se transformar em ódio,
imputa a ambos o total sofrer,
e o rancor se encarregará
de a tudo dissolver.

Aí, já não serão mais lembrados
os bons momentos, a cumplicidade,
só serão ruminados os cotós sentimentos
de perda e rivalidade. Isso não é ditame,
é lógica, coesa e inteligente. Enfim,
é o apartar sem quebrar; sem partir;
é o deixar inteiro; é o ir como gente:
É o partir transcendente!
Antônio Poeta



Amor Ou Frenesi
?
18
Se amas sem seres amado,
me permito, assim dizer,
que és um equivocado,
que não amas de fato,
nem mesmo a você.
Como podeis então,
amar um outro ser?
Não confunda o amor
com o perverso apego:
Amor é cândida doação,
apego é ruinosa possessão.
Quem tem apego, pensa ter
poder para de tudo fazer.
Quem ama não espanca, não mata.
Quem ama não trai, não maltrata.
Quem ama confia e dá liberdade.
Antônio Poeta



Querido
Tio Patinhas...
19
Querido acorda, desperta,
você está me levando à loucura
com tanta futilidade e amargura.
Já somos ricos, caia na real,
se espiritualize, não estime
tanto assim o material:
Não subestime tanto assim,
o que vem do transcendental.
Cesse de especular, de invejar
e olhe um pouco para trás,
pare de só se lobrigar n’aqueles,
que lograram capitalizar mais.
Isso não é apenas um conselho,
antes, é um aviso: Estou infeliz
e vou acabar por te abandonar.
Nem sexo você mais quer,
não se ocupa de meus desejos,
adormeces depois de mim,
acordas antes do meu despertar.
Somos quase dois estranhos...
Não conseguimos nos portar
se quer, como marido e mulher.
Sair, se divertir, nem pensar,
pois estás sempre cansado
ou compromissado, com algum
grande “negócio” a fechar.
O que você está a tempo pedindo,
com esse seu mesquinho proceder
é um belíssimo par de chifres,
mas, não vou fazer isso comigo
e muito menos com você...
Não concebo, assim me vulgarizar.
Porém, em contrapartida, decretei
e findei o cessar de meu sofrer.
Fique atento, pois o ultimato está
lançado e meu veredicto também.
Compete agora a você meditar,
mas o faça com zelo e fervor,
visto que, não brinco meu bem:
Se não se reformares, vou te deixar!
Antônio Poeta



Amor Não Quero Mais
Ser O Tio Patinhas!
20
Alô, sou eu amor...
Por favor não desligue,
somente ouça se preferir,
mas me favoreça e permita
essa ocasião para me redimir.
E tenha a certeza minha querida,
jamais eu diligenciaria vir a te ferir.

Essa vida louca e corrida
submergida em tanta alienação,
fez de mim, um paspalho envaidecido
com o espírito contaminado e corrompido,
pela competição, pelo vencer e mais crescer
sem barreiras, e que por escassez de emoção,
faliu a sua maior riqueza, seu maior bem: Você.

O tempo todo me alertaste
que eu estava te perdendo
e perdendo o nosso amor.
E que você não suportava
mais sofrer por abandono,
e entendia que em breve,
terminarias me deixando.

E eu, em meu céu mundano,
nesse meu quotidiano insano
não ajuizei o seu sofrimento.
Hoje em terminal tormento,
te suplico e peço para voltar,
lhe prometendo, doravante,
sempre a ouvir e considerar.

Não diga não!
Ao menos pense, tente,
vamos sondar nos harmonizar.
Me dê somente mais essa chance.
Provar-te-ei, que eu deixarei de ser esse
tolo ordinário e mercenário do tio patinhas
e por você... Por nós, eu retomarei a ser gente!
Antônio Poeta



O Amor Acabou?
21
Antes namorávamos na praça,
no portão ou no sofá da sala.
Hoje namoramos no carro,
no bar, na esquina, no motel.
Os sentimentos são os mesmos,
só que deles bem menos se fala.
Antes existia o romantismo,
já hoje impera o imediatismo
de se ficar a qualquer custo,
de logo se impetrar a ação.
A transa é algo que autômato,
mecânico, mas, ainda hoje,
o desígnio fim é a cobiça
do desabrochar da emoção.
Tudo não passa de um modismo,
de uma metamorfose atuária
de reforma comportamental
que, como aquelas de outrora,
cederão seu espaço de agora
a rumos bem mais arrojados,
e que amanhã, como as de hoje,
serão vistas, tidas e entendidas
como algo meramente natural.
E em máxima, é involuntário
e espontâneo, pois retrata
a investida do ser humano
em se completar e avançar.
Por não nos ser permitido
regredir ou até estacionar,
já que em marcha avante
somos compelidos a seguir.
É esse conflito incessante
em buscar e devassar
o insaturável degustar,
que parece desumanizar
o próprio gênero humano.
Seja em que tempo for:
Ontem; hoje; amanhã,
o feito fim, é lograr o amor.
Antônio Poeta



Bom Senso
22
Sofrer por antecipação é falta de ânimo,
comemorar por antecipação é leviandade.
O bom termo é sempre o meio termo, é ele
o uno liame que nos adentra a virtuosidade,
sem ele somos apenas passantes reagentes,
vagabundeando pelos redutos da leviandade.
Analisar sem paixão é se transpor de lado,
é ouvir mais, e também, mais ficar calado.
É não nutrir preconceito e nem prejulgar,
é a consonância da razão com a emoção.

Sem bom senso findam-se casamentos,
os grandes e mais ternos momentos,
triunfos, parcerias e toda a alegria,
pois que, a intolerância dos machos
potencializada pela intransigência
das fêmeas descontentes, lotam de ações
e de inúmeras versões as varas de família.
Só depois à frente pensam em sentimentos.
Mas aí, já se dividiram os bens, maltrataram
os filhos, se desgastaram e se aniquilaram.

Na maior das vezes, logo concluem
que tudo aquilo podia ter sido evitado,
pois que o mais importante e conflitante
é que ainda se desejavam e se amavam.
Cada qual por seu lado, independentes,
dependentes, determinados, vacilantes,
formam novos pares, compõem outros lares,
todavia vivem, intimamente doentes de paixão,
por tão apenas só terem acabado com a relação:
Já que com o amor, a saudade, o carinho e o tesão, não!
Antônio Poeta